quarta-feira, 7 de maio de 2008

Why don´t you like Science?

Mais um dia. Caricato dia. Hoje acordei com os sentidos acesos a respirarem a Primavera e pelos vistos com um perfume diferente ao agrado apenas de alguns. Mas foi um dia interessante, vivi algumas aventuras que atearam a mecha de me fazer pensar. Hoje penso sobre a Ciência.

Já não é a primeira vez que uma aluna contrapõe uma ideia com a frase: “Ohh Miss, Science is so boring…I don´t like it and I don´t see why do we need to know about it…” Hoje voltei a ouvi-la. Das vezes que mo dizem, e verdade é que me aperta o peito quando o oiço, tento mostrar de um modo floreado que o conhecimento da ciência é uma coisa magnífica e digna a qualquer ser pensante. Explico-me que antes de se gostar de qualquer coisa tem de se gostar de aprendê-la e este gosto, mesmo que imperceptível, é intrínseco ao ser humano, já que não nascemos conhecedores. Pergunto-lhes o que é aprender? Sem respostas, digo que não é mais que saciar uma curiosidade e que toda a gente é curiosa, todos gostamos de saber e portanto, todos gostamos de aprender. Pergunto-lhes se elas não são curiosas. Aliar a curiosidade ao mundo que nos rodeia é a amplitude do saber e o saber é a porta de chegada da vida. È para a conquista do saber que todos nós caminhamos.

Talvez pareça demasiado complexo para crianças desinteressadas em filosofias. Das outras vezes que me expliquei assim nenhuma aluna pareceu reflectir sobre o assunto. Talvez porque não o fiz entender, talvez porque sozinha, apenas eu partilho este sentimento. Hoje contudo, alguém retribuiu a intuição e disse: “you´re right Miss”. É estranho porque foi a aceitação deste pensamento e não a sua rejeição que me fez parar, reflectir e ansiar a procurar de um significado mais profundo. Pensei que se pensasse sobre ele talvez percebesse o porquê daquele aperto no peito quando alguém me diz que não gosta de Ciências.

Como trabalho de casa, pensei que seria sensato procurar a definição de “Ciência” no dicionário porque se há alguém que sabe definir conceitos, esse alguém são os senhores que escrevem os dicionários. Nele vem que: «(do Latim scientia) Conhecimento certo e racional sobre a natureza das coisas ou sobre as suas condições de existência. Investigação metódica das leis dos fenómenos. Saber; Conhecimento; Erudição; Instrução».

Lendo isto parece legítima a minha definição. Contudo parece-me também que a compreensão do que é a Ciência reflecte mais filosofias que propriamente condições exactas.

É um conceito demasiado amplo para ser categorizado em apenas um conceito. Este termo eleva-se a um conjunto infindável de disciplinas e matérias. E o que são estas Ciências se não um agrupamento de muitas outras Ciências que englobam outras Ciências ainda... Mas o que interessa na verdade, é focar o conteúdo e não o termo em si. A Ciência não é feita de nomes e definições e sim de conteúdos, aprendizagens e experimentações. É a natureza das coisas que interessa e não as coisas em si.

Será a Ciência a percepção do saber? Porque o saber é subjectivo, nós sabemos o que a nossa percepção diz saber. E não será o termo percepção por si também bastante relativo? Porque a percepção é um conhecimento individual e o individual vem sempre aliado ao sentimento, e o sentimento de quem pressente é único. Pode este “único” ser universal? Se aplicável ao real, provavelmente sim. Ciência é portanto tudo o que conhecemos como verdade real? Paradoxo interessante…

E quando pensamos em Ciência, pensamos nos animais, nas plantas, no homem, no átomo, nos electrões… na química, na física, na matemática… Mas será mesmo todo esta Ciência verdade real? Para além dos milhares de questões que afamam a integridade científica, esta intrigou-me a mim. Um dia, alguém me mostrou o seguinte paradigma:

1
= √1 = √(-1)x(-1) = (√-1) x (√-1) = (√-1) = i = i x i = i2 = -1

Uma verdade discutível me parece…

Eu porém gosto de acreditar que a ciência é tudo! Até mesmo os paradigmas que desafiam a ambiguidade da lógica. A Ciência é também a mutação, a lógica de hoje pode não ser a lógica de amanhã mas a verdade é única, neste caso, a verdade é 1=-1.

E será que a Ciência se desprende de alguma coisa? Talvez do sentimento? Será que existe uma arte que compreenda as profundezas do sentimento? Será que a Ciência também explica o amor, o ódio, a saudade a crença e o que de mais intrínseco envolve o ser humano? O corpo é Ciência, o cérebro é Ciência e até a alma é Ciência. Talvez a Ciência também explica o aperto no peito que sinto quando oiço alguém dizer que não gosta desta Ciência.

O que devo explicar então às alunas que não gostam de Ciências? Parece-me que a reflexão apenas serviu para confundir ainda mais a suposta conclusão. Talvez tenha de as desprender do preconceito que envolve a arte de pensar e fazer vê-las que Ciência é pararmos, querermos, observarmos e questionarmo-nos sobre as coisas.

9 comentários:

Henrique disse...

"Investigação metódica"

Logo aqui está tudo dito ;) ou quase tudo...

"1 = √1 = √(-1 x -1) = (√-1) x (√-1) = (√-1) = i = i x i = i2 = -1"

A verdade é que tu não podes simplesmente olhar para as coisas e lidar com elas como bem te apetece. Como neste caso, também na natureza existem regras que, uma vez violadas, deturpam a realidade.
Então estudamos o que nos rodeia, para que as nossas acções não lhe sejam prejudiciais nem enganadoras para os nossos sentidos. E a esse estudo damos o nome de Ciência.

Tomemos o caso, não sei se conheces :D, de uma aparente subida em que os corpos lá soltos aparentemente sobem em vez de descer, desafiando a lei da gravidade. É explicado exactamente pela ciência, para que não nos deixemos enganar pelos nossos olhos ;)

Joana Alves disse...

Mas parece-te então que o exemplo não é mais que uma regra violada. E os paradoxos que a Ciência não explica ou as verdades questionáveis não são mais que acções deturpadas da realidade. Mas será mesmo que é uma realidade deturpada ou simplesmente uma nova realidade? O meu ponto é, a realidade é uma percepção. Será então a Ciência uma percepção ou é por contraposição o seu oposto? É o que está para além da percepção e que não dita uma realidade, dita sim a verdade das coisas.
Lá está, o dito exemplo que bem conheço sim… pode não ser verdade, (apesar de não me convenceres ao dizeres que é apenas ilusão porque a minha justificação é igualmente científica) é contudo uma realidade ditada pela minha percepção (minha e não só). Havemos de ir lá e tirar a prova dos nove.

Obrigado pelo comentário, fico muito feliz por saber que contribuis para este meu espaço. =)

Henrique disse...

O que a ciência não explica não é forçosamente uma realidade deturpada. Pode ser simplesmente algo ainda fora do alcance da nossa capacidade intelectual.

O que eu digo é que a ciência reúne em consenso um conjunto de regras que tentam descrever o comportamento de tudo o que existe na nossa realidade.

Essa mesmas regras permitem-nos ter uma percepção da realidade mais exacta, o que por sua vez nos ajuda a interagir na nossa realidade de uma forma mais harmoniosa, se assim o entendermos.

Se as violamos, o resultado é imprevisível. Se as regras estiverem erradas (como já aconteceu ao longo da nossa história e continuará a acontecer), estamos a criar uma percepção errada do mundo que nos rodeia.

Onde é que eu quero chegar?
É verdade que a realidade pode ser vista de diferentes perspectivas, dependendo de quem a está a ver e das circunstâncias em que o faz.
Mas também é verdade que todos partilhamos a mesma realidade, o mesmo mundo. E sendo assim, não deveríamos todos ver o mesmo?

Pois para mim a Ciência é o instrumento que inventámos para chegar a essa visão consensual da realidade. E assim surgem as explicações científicas que nos obrigam a duvidar do que os nossos próprios olhos nos contam.

Joana Alves disse...

Ora lá está, uma opinião consensual e bastante científica… vou adoptar o teu pragmatismo como meu também… se não levares a mal. =))

E então depois de tantos factos questiono mais um para se tiveres paciência de comentar.
Se a Ciência é uma visão consensual da realidade onde encontra ela os seus limites? No limite do real? Isto é, se há Ciência, há Não Ciência também porque já diz a física que todas as forças encontram o seu oposto numa harmonia balanceada. E colocando a “crença”, que é para mim a antítese científica, a balizar o plano do real, onde se encontram os sentimentos neste universo? Acreditas que são Ciência ou crenças ditas naturais subjugadas num plano de realidade paralela? Porque os sentimentos, apesar de serem fruto intrínseco de covalências naturais geradas pelo nosso corpo, são também interpretações individuais impossíveis de serem explicadas no plano de uma realidade comum.

Henrique disse...

Para mim um sentimento não é mais do que uma capacidade intelectual de que dispomos para interagirmos com o que nos rodeia.
É descrito, ainda que superficialmente, como uma série de impulsos eléctricos e é, por isso, Ciência.

A crença, a fé, são artifícios criados para nos servirem de "muleta" psicológica, seja porque a dado instante sentimos falta de algo que nos oriente, porque precisamos de conforto e segurança que não obtemos de outras maneiras, ou simplesmente porque às vezes é mais fácil pensar que tudo o que acontece tem uma explicação superior, fora do alcance do nosso esforço (o que nos desculpa se esse esforço não for suficiente para atingir o que pretendemos).
Podem, também elas, ser descritas pela actividade do cérebro e são, por isso, Ciência.

Admito que sou pragmático (não céptico, porque apesar de agnóstico tenho as minhas crenças como bem sabes), mas para mim a Ciência não tem propriamente limites.

Não vejo a Ciência de que falas como a fronteira entre o que pode ser explicado racionalmente e o que não pode. Para mim, ela é uma tentativa de compreender a razão de tudo, seja crença ou algo mais concreto. Umas vezes com sucesso, outras nem por isso.

E quando dizes que os sentimentos são "interpretações individuais impossíveis de serem explicadas no plano de uma realidade comum", tenho de discordar, mas isso fica para outra altura! ;)

Joana Alves disse...

Mais uma vez obrigado pelo comentário. =)

Não sei se posso concordar com tudo o que dizes.
Acredito que a termo “Ciência” é realmente muito abrangente e que pode conglobar uma enorme quantidade de mundividências, mas não creio que a crença e mesmo os sentimentos sejam conceitos reduzíveis a meras enunciações, e a Ciência é descritível ou pelo menos limada por conceitos teóricos.
Não acredito que uma realidade inexplicada seja Ciência, por isso é que Einstein foi um cientista e Jesus Cristo não. Para mim a Ciência está balizada sim, encontrando o seu limite no limite do real perceptível de ser demonstrado, teórica ou experimentalmente.
Aceito que o sentimento ou a crença possam estar associadas a uma verdade científica porque partem de predisposições físicas, como são os impulsos humanos, mas encontram também os seus limites porque estão para lá das descrições. Uma pessoa pode tentar descrevê-los, ou pode mesmo criar conceitos que os definam, mas esses conceitos não deixam de ser apenas concepções recriadas porque o que sentes, são “interpretações individuais impossíveis de serem explicadas no plano de uma realidade comum”.

Espero ansiosa por essa discordância…=p

João Fernandes disse...

Oi Joana,

isto de verdades e realidades é uma chatice de definir. Por isso é q a ciência optou pelas teorias e modelos, ao contrário da religião, que optou pelos dogmas e descrições inalteráveis. A religião está errada e a ciência está certa? Que eu saiba, a procura da verdade tem vários instrumentos: a experiência, o reasoning e a investigação. Não vejo porque a religião tenha de estar sempre errada ou a ciência sempre certa, ambas têm acesso aos mesmos instrumentos e usam-nos. Conheço religiões interessantes, já ouvi falar de ciência manhosa, e aqui, tal como nos computadores, faz sentido distinguir o que é inerente do que é imposto a estes extremos do espectro. Bom e mau não me parecem inerentes a nenhum deles.

Ainda hj estive a ler sobre o valor do diálogo na criação de significado, especialmente se estão em jogo duas perspectivas diferentes. A diferença como generativa de significado não exclui uma abordagem monológica, senão andávamos sempre a discutir extrmos e não tomávamos decisões, e lá voltávamos ao relativismo romântico mais uma vez ou ao eduquês que tanto valoriza o processo e se esquece do conteúdo. Mas é um sinal de algo que não pode ser esquecido: podes tirar valor das diferenças e esse valor pode ser bem maior do que se só considerares um ponto de vista.

É também curioso que a física quântica parece estar a colocar as mesmas hipóteses colocadas por algumas religiões com mais de 2500 anos (o livro Nós, a partícula e o Universo do Basarab Nicolescu entre outros fala nisso), que não tiveram acesso aos biliões de dólares necessários para construir os super aceleradores (o do CERN está quase pronto).

Voltando à questão do teu post, Why don't you like Science?, acho que é fácil perceber porque é que um miúdo não gosta. Aulas sem ligação à vida real, hands-on sem reflexão sobre a tarefa, aulas expositivas, fracas razões dadas aos miúdos quanto ao valor da ciência. A questão que deriva desta, e à qual tentaste tentaste responder com o argumento da curiosidade, Why should you like science?, acho que é uma pergunta fundamental e cuja resposta que deste não é suficiente. E o resultado é o que tens visto, os putos não ligam. às vezes há um ou outro mais curioso que talvez diga que sim, que faz sentido na altura e depois 5 minutos depois esquece.

Uma explicação convincente para explicar às criancinhas porque é a ciência importante é um problema, e podes pegar no caso de várias formas: tens o argumento tecnológico, tens o argumento da curiosidade, tens o argumento do aperfeiçoamento, tens o argumento do equilíbrio que a ciência traz a religiões que preferem cordeirinhos que duvidam pouco. E falo de uma ciência humanista que é utilitária ok, mas que também liga as pessoas, e cujo processo de auto-regulação se baseia no diálogo, aberto a todos (o peer-reviewing, as discussões públicas). E não falo só das ciências físicas, mas de uma ideia mais abrangente, de conhecimento e saber como viste na definição do dicionário.

Assim, aqui vai uma proposta de resposta, concreta: Para já a pergunta está mal feita. Prefiro a "Porque é que achamos que deves aprender ciência?" como se fosse primeiro, uma razão surgida dos erros civilizacionais graves que fizémos e que custaram caro a homens, mulheres, crianças, outros seres vivos e à Terra nestes séculos e séculos de Humanidade.

Possível resposta: Porque antes de tudo, a ciência nos mostra que devemos duvidar das aparências e a não fazer juízos rápidos, principalmente se não tivermos factos. Aqui há uns tempos queimavam-se pessoas, principalmente mulheres, só porque alguém lançava um boato que eram bruxas. Sem factos, sem nada. Aqui há uns tempos, matavam-se judeus e escravizavam-se africanos e índios porque se dizia, novamente sem factos, que eram seres inferiores ao homem branco. A ciência julga devagar, é persistente na procura de respostas e valoriza a dúvida como abordagem inicial a uma teoria proposta. E apesar do Hitler ser recente e se tentar basear em pseudo-ciência para provar a inferioridade dos judeus, ou de o Crick que descobriu (descobriu mesmo?) o DNA afirmar que os negros têm um dna inferior, O argumento da justiça acho que é mais facilmente apreendido pelos miúdos pelo menos para começar ;)

A história de como a teoria de a Terra girar em torno do Sol foi confrontada, esta resposta espectacular e contra todo o senso comum e fascinante blabla, e o facto de Galileu ter desafiado a Igreja e baixado a bola e aqui há tempos a Igreja ter pedido desculpa acho que não pega tão bem ao início. Ou a ciência como satisfação de uma curiosidade. Os putos são curiosos, exploram o mundo e constroem os seus modelos da realidade. Falares na Ciência como tendo um método melhor do que o eles para satisfazer a sua curiosidade (e ainda para mais um método complexo com instrumentos esquisitos em que tens de estudar muitos anos e que pode demorar anos ou séculos a obter respostas) para começar não resulta.

Esta resposta macro talvez resulte, se quiseres tentar, dp diz-me como correu. Depois de insistires nesta, e dialogares com eles sobre isso, e contrapuseres pontos de vista diferentes, talvez os míúdos comecem a pensar no valor de outras coisas, tais como a beleza, o amor, a verdade, a persistência, as relações ou a vida. A ciência pode ajudar a tirar dúvidas e a tornar o caminho mais confortável. Com abusos, claro, nesta espécie que parece que tem tirado mais do que dá. Mas mais do que isso, a Ciência traz a dúvida e assume a incerteza como valor primordial, nas teorias que podem sempre mudar e evoluir. E isto, para as visões tradicionalistas e conservadoras, pode ser uma chatice.

PS: não me peças para comentar mais posts pa!

Eva disse...

Olá a todos e parabéns à autora da página pelo levantamento de temas tão pertinentes! ;)

Acho esta questão muito interessante porque eu também já passei por situações semelhantes no meu PGCE (Post Graduate Certificate in Education) e foi-me bastante difícil encontrar uma explicação que se enquadrasse com uma mente de 13-14 anos.

Ciência é o saber decifrar o código da natureza através da interligação de evidências e interpretação da lógica por detrás dessas evidências. Com essa poderosa informação ganhamos ferramentas para construir e/ou reconstruir algo novo.
O problema no ensino destas ciências reside na existência de um currículo limitante, tanto no Reino Unido como em Portugal, que não interliga outros conhecimentos que seriam a chave para a interpretação de alguns acontecimentos naturais.
Existem demasiadas lacunas que determinam a correcta interpretação da verdadeira ciência natural e constituem eternas barreiras na aprendizagem de um indivíduo.

Para além desta questão, e tal como o João realçou, não existe uma relação entre a ciência que se aprende na escola e a ciência do dia a dia. Eu penso que muitas vezes os próprios professores não sabem aplicar a ciência que desenvolvem na escola fora das salas de aula. A ciência nas escolas deve ser ‘repetível’ e ter significado no dia a dia, i.é , os alunos deveriam poder encontrar as mesmas ferramentas em casa que as que encontram na escola e poder experienciar e repeti-las as vezes que quisessem, dando-lhes a oportunidade de recriar e aprender a brincar, sem limitações de tempo ou contra os seus interesses. Mas acima de tudo a aplicação desse conhecimento na construção algo útil ou palpável.

Na minha experiência como aluna/professora, tentei encontrar maneiras de tornar este tipo de ensino possível. Recordo-me que tive de ensinar a definição de Indicador (para quem não sabe, uma substancia que se usa para distinguir entre um ácido e uma base, através da mudança de cor) ao 7ºano. Na actividade prática estava planeada a utilização de Fenolftaleína, Laranja de metilo…enfim nomes extremamente interessantes, de fácil compreensão e repetição, para funcionarem como indicadores. Claro que eu como analfabeta deste tópico também me assustei com o palavreado, mas pensei que deveria haver uma forma mais fácil de abordar o tópico.
Na universidade sugeriram-me uma actividade extraordinária e que depois apliquei na sala, de forma a tornar esta experiência bem mais interessante: utilizar chás de diferentes cores ou sumo de beterraba como indicadores naturais. Para testar a sua eficácia como indicadores de ácidos, bastava aplicar umas gotas de limão ou vinagre e o resultado era extraordinário (mudança de cor)! Qualquer pessoa poderia repetir a experiência em casa e ver com os próprios olhos.
Os alunos adoraram os cheiros e as cores e a actividade não constituiu nenhum risco de maior. Foi um verdadeiro sucesso! Por isso professores, vale a pena as vezes perder um pouco de tempo ou perguntar aos colegas sobre novas maneiras de abordar temas difíceis, aplicando-os na vida real.

Ainda falando no desinteresse dos alunos pelas ciências.
Outro grande problema em muitas salas de aula é o facto dos professores se esquecerem, que como diz um colega meu, ‘a função de um professor é entreter um bando de miúdos e talvez lhes fornecer algo útil que eles possam aplicar no futuro’. O professor tem de saber entreter, suscitar curiosidade, motivar e acima de tudo adaptar-se às necessidades da sua turma, não esquecendo que existe um mundo para alem da sua sala de aula. Depois de capturar a atenção e criar um ambiente tranquilo, ai sim, é o momento chave para abordar aspectos mais desafiantes. Claro que acima de tudo o professor tem de ter consciência das capacidades da sua plateia e as questões têm de se encaixar com os interesses e experiências desse público. O problema reside exactamente quando os professores não conhecem os seus alunos…

Numa das formações que tive na última escola onde estive (Denefield School) algo me ficou marcado, ‘apenas crianças felizes e calmas aprendem’ e muitas vezes nem se apercebem que estão a aprender. Grande parte desse ambiente é possibilitado pelo professor e é um dos meus grandes desafios para o futuro, saber como capturar o interesse e atenção dos meus alunos de uma forma consistente.

João Fernandes disse...

Eva, a relevância da ciência para o dia a dia é importante, estou a ler um livro sobre isso bem interessante de Glen Aikenhead, Science education for everyday life

n concordo com o extremo do professor entertainer nem do aprender sempre a brincar. Sobre o primeiro, deixo este vídeo http://www.metacafe.com/watch/1245281/
quanto ao 2.º, quanto ao segundo acho q basta dizer q na vida há momentos para ser sério e há momentos para brincar. às vezes há muito a falácia do aprender só fazendo, explosões, fogo de artifício, o hands-on sem reflexão. Acho que uma lógica hands-on, minds-on, hearts-on faz mais sentido, isto se queremos falar de aprendizagem. Senão estamos a falar de outra coisa, e nisso a televisão ou o cinema são melhores que as aulas. Por exemplo, da experiência que falas do limão, penso q não chega ser repetível ou de ser vista com os próprios olhos. é preciso é a reflexão e a repetição de conceitos associados serem também eles repetíveis. Senão é só fogo de artifício. Que tem o seu papel, volto a repetir, mas se estamos a falar de aprender, calma aí.

Ha um artigo do Jonathan Osborne sobre a literacia científica, falácias associadas e razões para a Ciência fazer parte do currículo, para o qual deixo aqui o link. Ele reflecte sobre isso melhor do que todos nós ;) http://www.ejmste.com/v3n3/EJMSTE_v3n3_Osborne.pdf